segunda-feira, 1 de junho de 2009

VIAJANDO COM MALLARMÉ

Puras unhas no alto ar dedicando seus ônix,
A Angústia, sol nadir, sustém, lampadifária,
Tais sonhos vesperais queimados pela Fênix
Que não recolhe, ao fim, de ânfora cinerária

Sobre aras, no salão vazio: nenhum ptyx,
Falido bibelô de inanição sonora
(Que o Mestre foi haurir outros prantos no Styx
Com esse único ser de que o Nada se honora).

Mas junto à gelosia, ao norte vaga, um ouro
Agoniza talvez segundo o adorno, faísca
De licornes, coices de fogo ante o tesouro,

Ela, defunta nua num espelho, embora,
Que no olvido cabal do retângulo fixa
De outras cintilações o séptuor sem demora.

Tradução: Augusto de Campos

Um comentário:

  1. Caros, há um excelente ensaio de Octavio Paz sobre este poema no livro Signos em Rotação, da editora Perspectiva, não deixem de ler... em tempos de populismo, sejamos herméticos!

    Ah braços,

    CD

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